MISTÉRIO EM CONDE
Documentos dos EUA revelam investigação de suposto OVNI em Conde
Caso de 1963 aparece entre arquivos oficiais recentemente divulgados
Publicado em
08/08/2026 às 11:29
Atualizado em
Uma história registrada em Conde há mais de seis décadas voltou a aparecer em documentos oficiais dos Estados Unidos. O governo norte-americano divulgou, nesta sexta-feira (7), uma nova leva de arquivos, fotos e vídeos relacionados a objetos voadores não identificados (OVNIs), entre os quais estão registros de uma investigação sobre um avistamento que teria ocorrido na cidade em novembro de 1963.
Na época, o episódio envolveu o relato de uma grande esfera metálica que teria caído em Conde, com um ocupante já morto em seu interior. A notícia chegou às autoridades norte-americanas por meio de uma transmissão de rádio originada no Rio de Janeiro e passou a ser apurada pela representação diplomática dos Estados Unidos no Brasil.
A documentação recém-divulgada revela que a ocorrência despertou a atenção de diferentes setores do governo americano. Órgãos dos Estados Unidos buscaram verificar os relatos, acionaram a embaixada no Rio de Janeiro e obtiveram informações junto a representantes do país e autoridades brasileiras.
O que se dizia sobre o suposto objeto
Parte dos detalhes aparece nos arquivos por meio de reportagens de jornais cariocas. Segundo uma comunicação diplomática, as publicações descreviam a ocorrência como a queda de um “grande balão metálico tripulado” no centro de Conde.
Ainda de acordo com os registros, o suposto objeto teria aberturas cobertas por vidros espessos e provocado um buraco de quatro metros de profundidade no local da queda.
As notícias também apresentavam uma descrição incomum do ocupante. Conforme o material, tratava-se de um tripulante morto a bordo, que estaria usando um uniforme ou traje espacial com marcações estranhas.
A repercussão fez com que a história ultrapassasse o âmbito da imprensa. As informações foram registradas por um setor da CIA e chegaram ao conhecimento de autoridades do Conselho Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASC), órgão norte-americano atualmente extinto.
Três telegramas registraram a apuração
Entre os arquivos liberados pelo Pentágono estão três telegramas relacionados à investigação.
O primeiro, de 9 de novembro de 1963, registra uma transmissão de rádio originada do Rio de Janeiro sobre a suposta queda da esfera metálica em Conde e a presença do ocupante já falecido.
Anotações manuscritas acrescentadas posteriormente ao mesmo documento, datadas de 13 de novembro, indicam que autoridades do NASC haviam solicitado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos uma verificação. A orientação era consultar a Embaixada dos Estados Unidos no Rio de Janeiro para esclarecer os fatos.
A apuração diplomática avançou no dia 14 de novembro, quando a embaixada enviou uma mensagem ao gabinete do secretário de Estado, em Washington, D.C. O objetivo era saber se o governo norte-americano havia considerado “não autênticas” as notícias publicadas pela imprensa carioca sobre o balão metálico e seu ocupante.
Caso mobilizou autoridades brasileiras e norte-americanas
Em 20 de novembro de 1963, a Embaixada dos Estados Unidos no Rio encaminhou outra comunicação ao Departamento de Estado americano. Dessa vez, o documento reunia as conclusões do responsável pela área científica do consulado norte-americano em Salvador, que havia sido acionado para apurar a ocorrência.
A investigação também chegou às autoridades brasileiras. Na mensagem diplomática, a embaixada informou que o Ministério da Aeronáutica do Brasil negava categoricamente a existência de qualquer “objeto estranho” em Conde.
O responsável pela área científica do consulado, por sua vez, avaliou que o episódio não tinha fundamento e o classificou como uma “invenção” criada no próprio Rio de Janeiro. Segundo o relatório final, o avistamento não foi confirmado por moradores ou qualquer outra pessoa que esteve na região durante aquele período.
Embora essa tenha sido a conclusão registrada pelas autoridades consultadas, a própria documentação evidencia a dimensão alcançada pela história em 1963: uma ocorrência atribuída a Conde chegou a envolver órgãos de inteligência, autoridades espaciais e representantes diplomáticos dos Estados Unidos, além de provocar consultas ao governo brasileiro.
Caso está entre 41 registros liberados
Os três telegramas relacionados a Conde fazem parte da quinta liberação de documentos do Pursue, um sistema desenvolvido para reunir e divulgar arquivos governamentais sobre fenômenos anômalos não identificados, conhecidos em inglês pela sigla UAP.
A nova etapa reúne 41 registros diferentes, incluindo materiais referentes a investigações de fenômenos considerados incomuns.
A publicação ocorre em cumprimento a uma ordem executiva assinada em janeiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que determinou que as Forças Armadas e outras agências federais disponibilizassem mais materiais relacionados a fenômenos aéreos não identificados e à possível existência de vida extraterrestre.
Mais de seis décadas depois, permanecem registrados os relatos sobre a esfera metálica, o ocupante descrito nas reportagens e a mobilização de autoridades brasileiras e americanas em torno de um episódio que, na época, despertou atenção muito além das fronteiras de Conde.
Confira os documentos que registraram o caso:
Arquivo de 13 de novembro de 1963
Arquivo de 14 de novembro de 1963
Arquivo de 20 de novembro de 1963
Fonte: Departamento de Guerra dos EUA
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