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Preservação

Comunidade Quilombola do Buri recebe alunos em atividade de educação ambiental

Projeto conecta escola, ciência e conhecimentos tradicionais em ações voltadas à conservação do manguezal do Itapicuru

Publicado em 04/06/2026 às 16:52
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Comunidade Quilombola do Buri recebe alunos em atividade de educação ambiental (Foto: Reprodução)

Alunos e professores da Escola Estadual Celso Mendes participaram, na última quarta-feira (3), de um tour regenerativo pelo manguezal do Rio Itapicuru, na Comunidade Quilombola do Buri, em Conde. A atividade integra o projeto Buri: Raízes Sólidas, Futuro Sustentável, desenvolvido pela Associação de Pescadores, Marisqueiras e Moradores da Comunidade Quilombola do Buri & Adjacências, com apoio do Fundo Brasil.

Durante a ação, os participantes percorreram duas trilhas do manguezal acompanhados por moradores da comunidade, que apresentaram aspectos ambientais, históricos e culturais do território. O grupo também realizou um mutirão de limpeza ao longo do percurso, recolhendo resíduos plásticos e outros materiais descartados de forma inadequada no ecossistema.

Na Trilha do Riacho do Sagui, os estudantes conheceram diferentes espécies de mangue, habitats do caranguejo-uçá e área que passa por processo de regeneração natural. Já na Trilha do Piriquito-Cigano, tiveram contato com ações de proteção e repovoamento desta espécie, que é endêmica da região e está ameaçada de extinção. Esse trabalho realizado em parceria com pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).



O passeio foi concluído na Duna do Sariguê, de onde os participantes puderam observar uma vista panorâmica do manguezal do Itapicuru e sua biodiversidade.

A professora de Biologia Patrícia Mendes Fonseca destacou que a atividade proporcionou uma vivência marcante aos estudantes, permitindo o contato direto com a biodiversidade do manguezal do Itapicuru. Segundo ela, "um momento especial ocorreu quando um dos alunos foi o primeiro a avistar o periquito-da-cara-suja, demonstrando grande entusiasmo ao compartilhar a observação com o grupo". Para a docente, a identificação da espécie tornou a experiência ainda mais significativa e evidenciou a riqueza da fauna local.

Patrícia também ressaltou o envolvimento dos estudantes com as questões ambientais durante a visita. De acordo com ela, "os estudantes também participaram espontaneamente da coleta de resíduos trazidos pela maré, demonstrando sensibilidade e compromisso com a preservação ambiental". A professora destacou ainda que o contato com os saberes da comunidade quilombola contribuiu para reflexões sobre preservação, pertencimento e valorização do território.



A iniciativa deu continuidade às ações desenvolvidas pelo projeto junto à Escola Celso Mendes. Em 19 de maio, a equipe promoveu uma atividade de educação socioambiental em sala de aula, abordando a importância do manguezal como ecossistema estratégico para o equilíbrio climático. Na ocasião, os alunos conheceram dados sobre a cobertura vegetal do manguezal entre 1985 e 2025, além de informações sobre o papel desses ambientes no armazenamento de carbono e na mitigação das mudanças climáticas.

O projeto Buri: Raízes Sólidas, Futuro Sustentável está sendo executado entre setembro de 2025 e agosto de 2026 e atua em três frentes principais: monitoramento do manguezal do Itapicuru, diagnóstico para o desenvolvimento do ecoturismo de base comunitária e formação de lideranças para incidência política.

Segundo os organizadores, as atividades buscam aproximar o conhecimento científico produzido pelo monitoramento ambiental dos saberes tradicionais da comunidade quilombola, fortalecendo a identidade territorial e ampliando a conscientização sobre a importância da preservação do manguezal.

Embora o manguezal do Itapicuru mantenha boa parte de sua cobertura vegetal preservada, a associação responsável pelo projeto destaca que fatores como urbanização, redução da vazão do rio, supressão da vegetação nativa e atividades agropecuárias representam desafios para a manutenção da biodiversidade e da produtividade do ecossistema.



Nesse contexto, o Quilombo do Buri desempenha papel fundamental na proteção de uma área que garante alimento, renda e qualidade de vida para diversas famílias da região.

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